A avalanche de provas que o sexto período nos trouxe acabou impedindo o bom funcionamento deste blog nos últimos 2 meses. Mas o pior já passou e as férias chegaram, providenciais. Sendo assim, pode-se voltar a falar um pouco de cinema.
No último dia 22 foram divulgados os candidatos ao Oscar 2009, sendo "O Curioso caso de Benjamin Button" o recordista de indicações: 13. Trata-se de uma obra-prima baseada num conto de Scott Fitzgerald. Bradd Pitt e Cate Blanchett nos presenteiam com uma fabulosa viagem através da Nova Orleans do século XX, chegando até a catástrofe chamada Katrina no início do século XXI.
Mais detalhes da história e do filme podem ser visto facilmente em qualquer cinema decente desse país. No entanto, na minha opinião, o que mais marca na produção é a distorção da idéia de tempo que é apresentada ao espectador. Um personagem que nasce velho e, à medida que vai envelhecendo cronologicamente, torna-se mais jovem fisicamente. Um tremendo contraste, principalmente em se tratando de uma sociedade que valoriza tanto a beleza. Uma criança de 7 anos com aspecto de um velho de 60 e um idoso de 50 com corpo de um jovem de 20.
Pode-se refletir muito sobre como as oportunidades passam por nós, às vezes fugazmente, e só depois percebemos que elas podem ser únicas e nunca mais se repetir. Ou, ao contrário, podem se repetir várias e várias vezes sem que nos demos conta. O paradoxo proposto chega a ser melancólico em alguns pontos, porque vai de encontro a diversos valores cristalizados em nosso convívio. Uma criança envelhecida assusta ao invés de encantar. A velhice é vista como algo a ser evitado, como a fase da vida em que o ser humano definha gradativamente até sua morte. Mas e se você fosse se tornando cada vez mais forte e jovem no decorrer dos anos? E se você se sentisse velho por dentro, enquanto é estonteante por fora? E se essa lógica fosse quebrada?
As experiências únicas (que só determinadas fases da vida podem oferecer) são simplesmente modificadas pela sua simples aparência. Mas experiências vão muito além da aparência. São momentos únicos e irreproduzíveis da vida de uma pessoa que não devem e não podem ser julgadas por se ter mais ou menos rugas no rosto. Muitos buscam envelhecer com juventude a todo custo, mas não dá pra evitar o envelhecimento pelo acúmulo de experiências. Envelhecer é ISSO e não ganhar doenças e dificuldades a cada ano que passa. Benjamin Button mostra justamente esse lado maravilhoso da vida que só o passar dos anos pode trazer. Independente de estar caquético ou jovem como um adolescente, suas experiências estarão para sempre registradas, sem poder "rejuvenescer".
Quem ler o livro intitulado "O retrato de Dorian Gray" (Oscar Wilde) também se deparará com temática semelhante. É um livro tão bom quanto esse filme sobre o qual lhes falei. Mas isso é assunto pra outro post.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
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