quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Sobre William Blake e Anarquia


















Ontem estava numa dúvida terrível sobre o que postar aqui no blog. Daí que, de madrugada, na TNT, passou uma daquelas películas que por mais que você já a tenha assistido, nunca se cansa de revê-la: 24 Hour Party People (A Festa Nunca Termina). Esse pseudo-documentário é uma das fotografias mais fiéis sobre a cena musical de Manchester da segunda metade da década de 70 até quase o final dos 80 e sobre uma de suas precípuas e emblemáticas figuras: Tony Wilson.






No filme em questão, Tony Wilson (Steve Coogan, excelente, que não perdeu a chance de fazer uma brincadeira sobre essa obra em "Coffee and Cigarettes" do Jim Jarmusch) é um frustrado jornalista e host da Granada Television que percebe, ao presenciar um concerto dos Sex Pistols (com o incrível público pagante de 40 pessoas) no Manchester Lesser Free Trade Hall, um prelúdio de movimento artístico, e, assim, financia uma série de shows regionais que catapultariam os grandes nomes da música inglesa dessa época. Quando questionado, à época, sobre a presciência que fez a respeito do concerto dos Pistols, indaga: "Quantas pessoas estavam presentes na última ceia?". Com o seu papo sedutor e sua lábia persuasiva, convence e forma grandes bandas como Joy Division (que surgia postumamente como New Order ao suicídio de Ian Curtis, lenda do movimento), Buzzcococks e Happy Mondays com o seu selo Factory Records (e que não valia um centavo, em contradição). O mais curioso é que Wilson gerencia as bandas sem nenhum contrato formal; todo o negócio é feito por reuniões em pubs ou acordos marcados a sangue. A história é relatada na forma de um documentário realizado pelo próprio jornalista, que é o eixo dos acontecimentos.






Destaque para algumas hilárias cenas, como o sequestro de um tape com as gravações do novo álbum do Happy Mondays pelo próprio vocalista da banda (a solução encontrada pelo Tony Wilson é hilária), a reclusão lisérgica do New Order em Ibiza e a tentativa de assassinato cometida pelo cômico produtor do Joy division, Martin Hannett. Todavia, nem tudo foi diversão, e grandes problemas surgem principalmente quando Wilson resolve construir o dispendioso "Haçienda" (com "ç" mesmo), reduto de traficantes e catalisador da onda de violência de Manchester. Da mesma forma, a vida desmedida e regada a metanfetaminas das suas personagens levará a uma vereda que culminará em significantes perdas trágicas pelo caminho.






Como citou John Ford: "Entre a verdade e a lenda, preferirei sempre a lenda". E é justamente sobre essa máxima que se arquitetou o 24 Hour; todos os fatos caminham em uma linha tênue entre a fantasia psicodélica e a realidade mais crua. Para amantes da música e cinema em geral. (Babai)




Nenhum comentário: