segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sobre Família e Culpa


"May you be in heaven half an hour before the devil knows you´re dead". O aforismo irlandês ao lado é apenas o prelúdio de uma suspense/drama que dá um pouco mais de fôlego à já consagrada carreira do cineasta Sidney Lumet, "Antes Que O Diabo Saiba Que Você Você Está Morto" . A verdade, caros amigos, é que nada me agrada mais do que ver um ótimo suspense guiado com maestria e inteligência, dois adjetivos constantes da carreira desse consagrado diretor. Não à é a toa que "Um dia de Cão" e "Serpico" ainda incluem, de longe, os melhores personagens de Al Pacino, e "Rede de Intrigas" figura na minha lista "top ten" pessoal.
A estória basicamente mostra dois irmãos, Andy (Phillip Seymour Hoffman, irrepreensível) e Hank (Ethan Hawke) que arquitetam um crime perfeito, por motivos financeiros: assaltar a loja de jóias dos próprios pais. Contudo, acabam entrando em uma espiral de imprevistos que culmina em uma já prevista tragédia. A partir daí, a dupla de protagonistas mergulha de cabeça nesses sentimentos de culpa e desespero dignos de um Dostoiésvsky.
O próprio enredo já nos avisa de antemão que a suposta tábua de salvação (ou o paraíso da película) é uma utopia, e, assim, de forma magistral, todo um complexo de instabilidade cai sobre os ombros dos dois irmãos, pondo em prova a própria fraternidade. Andy procura, como primogênito que é, dentro dos limites de sua costumeira fleuma e seu hermetismo (causas precípuas de seu casamento desastroso), controlar com suas rédeas esse cavalo xucro criado pelo próprio. Hank penetra em um mar de culpa (visto que a prática do plano foi realizada por ele) e se torna o elemento mais vulnerável à confissão (o que faz Andy pôr um pé atrás quanto ao comportamento do caçula). Charles, o pai, interpretado pelo competente Albert Finney, entra em uma neurose que só terminará quando vingar a morte de sua esposa. De quebra, a película mostra um pouquinho dos atributos da Marisa Tomei, se é que vocês me entendem, caros leitores.
Lumet tem como tema recorrente em suas obras a luta pela sobrevivência do moral em um meio mais do que adverso, também explorado no filme em questão. Porém, mais relevante é a dissecação da família que esse cineasta propõe para os telespectores; uma visão apocalíptica, por assim dizer. Toda falha produzida no convívio familiar será explorada. Não há tempo para redenção: o personagens têm que pagar pelos erros cometidos no passado. Da mesma forma abordada em outros filmes seus, o enredo ( que passa longe da lineridade) só poderá levar a um clímax de violência nua e crua, pondo em prova o já mutilado caráter de seus personagens.
É sangue jorrado de forma sensata. (Babai)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Sobre o Futuro e Obama





Para quem não vive fora de órbita, é sabido que as próximas eleições presidenciais dos EUA acontecerão em 4 de novembro deste ano. Em meio aos vários acontecimentos que levarão à Casa Branca o próximo grande líder mundial viu-se muita fofoca e frisson que tumultuaram a campanha dos dois representantes mais relevantes. Recentemente, o candidato Barack Obama ensaiou um breve interlúdio na terra do Tio Sam para arrancar multidões de suas casas na Europa e Iraque, e praticamente o que registramos foi a revelação de um messias controlado, um "agitador" da ordem vigente, um sinal esperançoso da distopia dos nossos tempos. Na Coluna da Vitória, inflamou milhares de alemães (reminiscências de Win Wenders); no Iraque, promessa da retirada imediata das tropas. É um pássaro? É um avião?


Se Obama é o mais novo Super-Homem moldado pela mídia, sua figura pública pode ser também sua criptonita. Digo isso porque o candidato John Mccain e sua conhecida falta de personalidade, em suas desesperadas maledicências, não parecem surtir efeito negativo sobre a popularidade de rock-star (sim, ele também foi capa da Rolling Stone) de seu rival. A verdade é que o que mais compromete Obama nessas eleições é a insegurança pública em torno de sua figura mítica; sua índole permanece uma incógnita e seu passado, obscuro para a maioria dos desconfiados eleitores que compõem a classe média branca americana. Pressupõe-se que esta seja a principal razão pela qual o sr. Obama não tenha arrancado boa parte dos corações ianques: seu matiz desconhecido parece ser o negro ou o mesclado, parcial e que prioriza os mais necessitados.


E no que concerne à pátria canarinha? O que será de interesse nosso nessa disputa acirrada? Ao considerar as mais recentes opiniões sobre o investimento na nossa tecnologia de biodiesel, vemos uma dissertação reacionária e protecionista americana, que prefere investir ainda seus derradeiros esforços no insuficiente álcool de milho de lá. Ou seja: desculpem-me "friendos", mas a política externa continua na mesma.









Frase da Semana: Millôr Fernandes



" Todo presidente americano em final de mandato, como Bush, já sem poder, é chamado de Pato Manco (Lame Duck). No Brasil, Lula, no seu segundo mandato, já de olho no terceiro, é um pavão que não se manca.".


A seguir, um vídeo sobre o mais recente discurso de Mccain, que compara Obama à Paris Hilton e Britney Spears. (Babai).